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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quando rivedo il ritratto...


        Como está meu amigo? Você parece estar indo bem. Bem para um menino de cinco anos. Apesar de seus poucos anos, há quanto não o vejo? Talvez uns dez, ou até doze anos? Vejo que apesar de meu tempo fora, você não mudou absolutamente nada. Seu jeito irreverente, sua mania de se sujar tão fácil e todas suas ações destemidas que muitas vezes acabam em machucados parecem não ter sumido de você. Vejo também que você continua livre, e que seus caminhos ainda percorrem os muros da vizinhança, e quando os mesmos acabam ainda há as velhas ruas inclinadas clonadas de São Francisco. Ah meu querido, eu invejo essa sua predisposição e sua valentia para sair em busca do inatingível e das limitações a serem superadas. Reconheço que você tem muitas perguntas para mim, mas acredite, eu tenho muito mais perguntas para você. Você é sábio, tem o coração puro e o sorriso da inocência. Tens o corpo frágil de uma criança, mas o amor de um criador, fazendo os mais próximos terem receio de suas atitudes, com medo que um dia você se magoe profundamente. 

        Agradeço-te por todos os presentes que você me deu, mas dentre todos, eu tenho os meus preferidos. Entre eles, está aquele velho retratado borrado de tinta que você me deu em um dos nossos últimos encontros. É impressionante como este retrato está transbordando de lembranças e esperanças. Por acaso você se lembra das vezes que a gente dava banho na cachorra e ao mesmo tempo saíamos correndo pela terra nos sujando? E todas as vezes que caímos da casinha da árvore ou nos escondemos apenas porque queríamos dormir mais ao invés de ir à escolinha brincar, brincar e brincar um pouco mais. Nossa vida foi recheada de aventuras, mas foi mais ainda pelo amor que recebemos de todos a nossa volta. 
        Fiquei muito tempo longe de você meu companheiro, sentindo-me exatamente como um rei sem seu trono, ou um baralho sem o ás de espadas. Entre a cruz e a espada não há meio termo, é tudo ou nada, então acabei resolvendo ficar parado. Sete chaves não foram o suficiente para te trancar, eu tentei te esconder, tinha vergonha de você, mas hoje posso ver que é por você que agora tenho meu maior tesouro. Um dia tentei te esquecer, hoje tento me lembrar de como você era para poder me espelhar e seguir seus passos novamente. Sonhos te compõem, desejos te enriquecem, mas é toda sua imaginação que o faz viver. O medo da ilusão me fez recuar, mas mesmo assim seu apoio fez eu conquistar o meu destino, muito obrigado por acreditar em mim quando eu mesmo não sabia quem eu era.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindíssimo texto... ♥

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